sexta-feira, 30 de setembro de 2011

.


Se tenho algo a agradecer, são as amizades que tenho. Que eu perca tudo, menos meus verdadeiros amigos.
Vão-se os amores, ficam os amigos. Sempre.

.

Mas como menina teimosa que sou, ainda insisto em desentortar os caminhos… Em construir castelos sem pensar nos ventos.
Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Cinco.


Foi de repente que você entrou na minha vida. Parecia bobagem, amizade e nada mais. Parecia que teríamos pouco assunto, pouca intimidade, e pouco carinho um pelo outro. A amizade foi crescendo, o ciúme nascendo, e o amor aparecendo. Pouco a pouco, eu fui me dando conta que talvez fosse melhor deixar o orgulho de lado. O orgulho ate que não seria difícil. A parte mais complicada seria deixar o medo de lado. Aquele medo que assombrava meu coração toda vez que eu ouvia a palavra “paixão”. Aquele medo causado pelos arranhões que existiam em meu coração. Sem querer, eu fui pensando cada dia mais em você. Sem intenção alguma, quando eu fechava os olhos era você que eu via. Nos meus sonhos, seu sorriso já não era mais novidade. Fui disfarçando, fugindo do amor, fingindo que sua ausência não me faria diferença. Suas idiotices me faziam sorrir, seus sonhos me faziam sonhar, e seus ciúmes, me faziam pensar em não desistir. Chega a ser ridículo o efeito que você causa em mim. Parece droga: entorpece, vicia, me faz pedir por mais. E você não liga. Você vê e finge que é normal toda essa dependência que tenho do seu corpo, do seu carinho, da sua voz, de você. E o pior é que eu gosto. Eu gosto de te querer o tempo todo ao meu lado, de pensar em você o dia todo, de planejar meu futuro junto ao seu. Eu gosto de gostar de você. É tão bom olhar para o lado e ver que você continua aqui, depois de tudo, depois de todos. É bom saber que tenho sua mão à espera da minha, para quando o medo me dominar. É bom imaginar que talvez daqui a quinze anos eu esteja casada contigo, escolhendo o nome dos nossos filhos e elaborando nossas viagens. Não vou negar que tenho medo. Medo de que tudo acabe medo de que alguém faça você mais feliz do que consigo fazer. Medo de que o seu ‘para sempre’ mude e se transforme em poucos dias. Medo de que o que eu sinta, não seja o suficiente para te manter junto a mim. A insegurança existe, mas a confiança que seu olhar me transmite é maior que qualquer coisa. Sem querer, eu já estava entregue em suas mãos. Mesmo não podendo, mesmo não querendo. Eu não queria sofrer, eu não queria me iludir, eu não queria me machucar novamente. Mas você foi me transmitindo confiança, foi me mostrando que contigo eu conheceria a felicidade. E eu acabei me apaixonando. O que eu sinto por você é diferente da concepção que eu tinha antes. É diferente do amor que vejo em filmes, novelas e até mesmo em desenhos animados. Nós brigamos, e não é pouco. Muitas vezes, vamos dormir chateados e ainda pensando nos argumentos que poderiam ter sido ditos na discussão. Somos orgulhosos. E também somos teimosos, o que nos faz persistir nos erros e nas implicâncias. Você me irrita com uma perfeição indiscutível, de um modo que nenhuma outra pessoa é capaz. Mas você também sorri. Você sorri de um modo que nenhuma outra pessoa é capaz, de um modo que faz com que todos os meus problemas pareçam pequenos. Não é fácil amar alguém tão parecido e ao mesmo tempo tão diferente. É estranho, mas não consigo mais me lembrar de como eu era antes de você. E me assusta saber que esse eu, que já nem conheço mais, está prestes a voltar. Percebe o quanto isso é assustador pra mim? Por isso minhas crises, minhas neuras e minhas lágrimas. Você me faz feliz como ninguém nunca fez, então, eu já sinto sua falta antes mesmo de ir. Não foi desejo. Nem vontade, nem curiosidade, nem nada disso. Foi um choque elétrico meio que de surpresa, desses que te deixa com o corpo arrepiado, coração batendo acelerado e cabelo em pé. Foi sentimento. Não foi planejado, nem premeditado. Foi só um querer estar perto e cuidar, tomar todas as dores e lágrimas como se fossem suas. À vontade e o desejo vieram depois, bem depois. Não foi um lance de corpo, foi um lance de alma. Não foram os olhos, nem os sorrisos, nem o jeito de andar ou de se vestir, foram às palavras. Uma saudade e uma urgência daquilo que nunca se teve, mas era como se já tivesse tido antes. Você me bagunça e tumultua tudo em mim. E eu gosto desse seu jeito estranho de dizer que me ama, gosto dos seus olhares de repulsa, gosto das suas piadas idiotas, e também gosto do modo como você consegue me deixar feliz só por existir. Eu gosto do seu palavreado, da sua forma de falar errado só pra me irritar, do seu sorriso torto, e do modo como você bagunça meu cabelo só para depois me ver brava e dizer “você fica linda de qualquer jeito”. Eu gosto de você, exatamente do jeito que você é.
A vida contigo é muito melhor. Me esqueci do medo de viver só. Com você me sinto bem e digo sou feliz também. Então sigo assim, penso em você, sorrio e rezo, peço pra Deus cuidar da gente. E agora, não há nada no mundo que te faça perder o lugar que é seu, em meu coração.
Foi amor. É amor,gatinho!
5

terça-feira, 20 de setembro de 2011

T&N

Quando você apareceu na minha vida meu coração apunhalado gritou: era o que faltava. Eu estava caída, acabada, brigada com a auto- estima e me estranhado com o amor-próprio, e aí então chegou você, prezado cavalheiro, estendendo a mão e levantando-me delicadamente. Fez questão de enfatizar o quanto me achou bonita, o quanto você havia gostado desse meu jeito menina-moleca, como havia se encantado pelo modo como defendo minhas opiniões; disse-me que eu não tinha ideia do quanto fazia bem a minha companhia, que eu era muito para todo mundo, inclusive para você. Ah, meu caro, foi tão estranho e tão saboroso provar pela primeira vez esta sensação de sentir-se amada, venerada, desejada, necessária, única. Doce homem- menino sei que há muito não nos vemos e há tanto quebramos o contato, mas eu ando te observando de longe. Mas quer saber? Até passou aquele tempo em que eu te escrevia milhões de poemas, cartas e guardava para mim; que esperei você bater na porta de minha casa ou que cruzei os dedos para ouvir tua voz do outro lado da linha telefônica. Passou a época em que eu chorava e jurava morte a qualquer outra que tentava te fazer feliz, não imaginas o quanto praguejei para que nenhuma dessas sortudas conseguissem. Hoje, meu querido, o sentimento que eu trago por ti é tão evoluído que nem me lembro mais dos sofrimentos que você me causou; que eu não desejo mais teu bem só perto de mim. Agora, eu quero mesmo é que você seja feliz, que uma qualquer, muito especial, saiba dar o melhor dela e roube o seu pior; também não te quero mais só para mim, entendi que você é da vida, é claro que ainda sou capaz de cuidar de você, mas só de longe, de coração, por oração. Peço demais para que tu seja feliz, bem longe de mim, livre. Por esses tempos, só consigo lembrar do que a gente teve de bom; mas espera, a gente teve coisa ruim? Foi tão pouco tempo... Ah, te quero um bem enorme, danado, louco, desesperado; mas é coisa pura, limpa, sincera, escondida. Não se preocupe, eu continuarei a zelar por você, cuidar da tua importância para mim e mandar o tempo inteiro minhas melhores vibrações através do dedilhar de um violão qualquer. Sempre, sempre e sempre. Não posso negar que você não me causa mais todo aquele efeito, que o coração bate um pouquinho mais devagar quando eu te olho e que eu te xingo quatrocentas vezes ao dia pela sua falta de atitude que tem de existir. No entanto, não posso ser leviana o bastante e deixar de dizer que você ainda mexe comigo (bem mais do que devia), que eu alimento insanamente uma pontinha de esperança de que aconteça uma nova “recaída”, que repito todos os dias para mim uma das últimas palavras que pensei naquela noite: “o que eu sinto por você sempre vai voltar quando eu te olhar novamente”. Já sei: lembrei agora, que uma vez quando eu pensei em desistir, você me disse que quando eu quisesse mais que tudo alguma coisa era só fechar os olhos com força e pedir, pedir, pedir, que se quando eu os abrisse o meu desejo não estivesse ali eu olharia para o canto e acharia determinação para buscá-lo. Pois é, vou fechar os olhos, apertá-los, apertá-los, apertá-los e vou abri-los devagarzinho para ver se você aparece na minha frente e mata esse medo. Fechei. Apertei, dessa vez mais forte ainda; abri o mais devagar que pude, no entanto ainda chove, os relâmpagos estão mais fortes, o medo ainda me consome e, ah, vejam só: você não está aqui, aliás, você nunca esteve. Um dia a gente se esbarra por aí e eu vou te sorrir, te perguntar como você anda, como vai a sua mãe, seu pai, seus irmãos e o seu cachorro; você vai me dizer que sente falta e eu vou mentir que também sinto, falar que estou atrasada, cheia de trabalho, que preciso ir, e assim como me fez algumas vezes, eu te direi que vou te ligar para gente marcar alguma coisa, me torturando por dentro por estar mentindo. Bem que eu queria, sabe sentir algo assim outra vez, no entanto, o que antes era saudade virou só mais um pocinho raso dentro desse coração bem acostumado. E você vai me perguntar: - Ele te faz sorrir? E eu irei te responder: - Ele não me faz chorar!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

.

Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser o nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: “Eu sobrevivi”. 

Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

.


Princesa, 
Vi outro dia uma foto sua e senti uma dor enorme no peito; olhei para o fundo dos teus olhos e mergulhei em uma frieza que nunca foi característica tua. E então, me deu uma aflição tamanha, por saber que contribuí um bocado para cavar poços fundos e frios em tua alma. Ah, minha pequena, te juro que nunca quis te machucar. Quando teus olhos cruzaram com os meus eu procurei por uma doçura que te era peculiar, busquei todos aqueles sonhos bonitos que tu tinhas, a fé que carregava; procurei sentir a doçura que você exalava, a esperança que transmitia e o amor que propagava, mas não os encontrei. Aonde se esconderam todos eles, minha boneca, aonde?
E sabe o que também me é estranho além dessa ausência? É que você continua linda, na verdade, a beleza que tu trazias parece ter aumentado. Esse ‘quê’ de tristeza te acrescenta algo a mais, dá uma vontade de te explorar, de procurar até achar teu pobre coração e cuidá-lo como devia ter feito antes, mas você se fechou ; criaste um escudo protetor forte por demais que me impede de enxergar aquela velha criança, é duro crer que as pessoas mudam, e é mais áspero ainda saber que eu fui um dos responsáveis por essa mudança.
Naquele dia, que eu te vi de novo, a saudades de ti (que sempre me acompanha) pareceu ter crescido horrorosamente. Quis só mais uma única vez poder te puxar pela mão e sussurrar ao teu ouvido o quanto és linda; poder entregar-te aquela flor que eu deixei murchar antes de ir embora; queria poder voltar aquele maldito momento em que você me pediu para partir, implorando que eu ficasse, e te abraçar, falar pela primeira e verdadeira vez que eu não ia mais te machucar, que você merecia o mundo e que eu cumpriria a promessa, que te cuidaria para sempre.
Mas fui burro, meu bem, te escutei e saí pela porta da frente da sua vida, te dei tempo suficiente para mudar a fechadura e reforçar os cadeados, e agora, não vejo mais nenhuma janela sequer aberta para eu poder voltar para o seu coração. O que foi que eu fiz, princesa? Por que fui inventar de te perder? Será que era tão difícil de enxergar que sem você não tem como dar certo? Tu não imaginas, meu amor como eu sinto falta,era tão bonito...
Mas eu estraguei. Pronto, acabou.
É, eu sei. Não vou te esquecer nunca. Todas as vezes que eu pensar que te esqueci, que tu estiver virando uma nevoa nas minhas lembranças eu irei relembrar; ou você vai me aparecer, só para torturar, ou então, eu vou voltar para realidade e ver que o que eu quero (o que eu preciso) está contigo. Não tem jeito mesmo não: eu vou ser sempre teu.
E quer saber outra coisa que eu me pergunto por demais? Se algum outro cara vai saber tanto de ti como eu soube. Será? Será que esse sujeito, que eu sei que existe na sua vida, vai saber que você detesta rosa e adora jujuba; será que ele vai lembrar sempre que você é dengosa e gosta a beça de um cafuné; que você gosta do seu suco sem açúcar e do seu café um pouco amargo; será que ele não vai esquecer que você gosta de ganhar flores e receber cartas; que ele vai segurar a sua mão ao assistir uma comédia romântica; que ele vai saber identificar a sua tristeza e ter o dom de te devolver um sorriso? Será, princesa, será que ele vai saber cuidar de ti?
Mas eu te perdoo todos os dias, criança. Te perdoo por ter sido tão madura e ter me mandado ir embora, eu te perdoo por não ter me deixado te ver sofrer.

sábado, 10 de setembro de 2011

.

Hoje eu acordei cansada. Cansada de tentar me conformar. Cansada de dizer pra mim mesma vale a pena, vale a pena, vale a pena quando tudo o que eu queria era gritar porque você não escuta? Hoje eu acordei e percebi que não, não vale a pena. Deus sabe que eu tentei, porque você me fazia tão bem. Fazia.

.

“Não é saudade, porque para mim a vida é dinâmica e nunca lamento o que se perdeu - mas é sem dúvida uma sensação muito clara de que a vida escorre talvez rápida demais e, a cada momento, tudo se perde. Nunca nos falamos, praticamente, nunca nos olhamos. Ficou só aquela vibração de silêncio, muito forte.”
      (Caio Fernando Abreu)

.

Chega de surpresa, de mansinho e me da um abraço sem eu esperar, olha nos meus olhos e diz o quanto sentiu minha falta e que não quer ficar longe dessa maneira nunca mais.
Sorria e ao mesmo tempo mecha no cabelo, acho lindo quando você faz isso, e confesso sentir falta de cada detalhe seu (…)
Queria que tudo que eu desejasse acontecesse, ou que pelo menos, você estivesse mas perto, queria poder te ver a qualquer momento e sentir seu abraço de novo (…)
Se você soubesse quanta falta faz, você voltaria atrás?
Eu só queria ter a certeza de que pensa em mim. Não precisa ser o tempo todo.Só queria saber se em algum momento do seu dia, pensa ou lembra de mim, se tem saudades. Se tudo foi tão importante pra você o quanto foi pra mim. Se tem a mesma vontade, a mesma saudade. (…) Eu só precisava saber, se tem o mesmo querer.
Olha, só quero que você se cuide e que cuide de mim também. Por falar em cuidado, era você que tava comigo ontem quando eu fui deitar, não era? Sei que era, senti você, senti seu cheiro, mas você nunca aparece para mim, não sei por quê. Prometo que eu vou escrever mais, e que qualquer dia te mando noticias de todo mundo, ta certo. Se cuide, viu?

 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

.

Às vezes, sinto falta, às vezes, acho que é um alívio estar longe…

Caio Fernado de Abreu