Caio Fernando Abreu
domingo, 28 de agosto de 2011
.
Quando você tem capacidade de não falar, não ligar e não se importar, está aprendendo o que é ser forte.
Four.
Eu nos imagino morando juntos, dividindo um teto. Numa casinha pequena, com vários discos antigos, roupas bagunçadas e cheiro de amor no ar. Eu nos imagino arrumando a sala para quando formos receber visitas e também arrumando a cama, para depois, logo à noitinha, bagunçarmos novamente. Eu nos imagino deitados, amarrotados, abraçados, laçados. Eu te imagino só de bermuda caminhando pela casa, com um livro de páginas amareladas na mão. Eu me imagino vestindo apenas sua camisa, sorrindo feito boba e sendo guiada por um lento bolero. Ô meu anjo, eu nos imagino criando planos, filhos, bichos e plantas. Eu nos imagino crescendo juntos, criando responsabilidade juntos e vivendo num canto só nosso. Eu nos imagino escolhendo o nome da nossa menininha e do nosso cachorro.Eu te imagino me abraçando por trás, mordendo minha bochecha e sussurrando no meu ouvido que eu sou a melhor coisa que já te aconteceu. Eu me imagino pulando no seu colo, cruzando minhas pernas na sua cintura, beijando seu pescoço e dizendo baixinho no seu ouvido: “Ô gatinho, te quero ainda mais”. Eu nos imagino arrumando o jantar, escolhendo quais talheres usar e escolhendo uma boa música para a nossa noite romântica. Eu nos imagino sentados na grama, olhando para as estrelas e cochilando agarradinhos. Eu te imagino deitado na rede e eu indo correndo para te derrubar da mesma. Te imagino caindo no chão, dando gargalhadas e, depois, correndo atrás de mim para se vingar. Eu te imagino reclamando da minha mania de não colocar as coisas que uso no lugar. Imagino-te discutindo comigo qual cor de tinta passar na parede do nosso quarto. Eu optaria por vermelho e você, provavelmente, por verde. Mas no final, eu acabaria ganhando, como sempre. Você me deixaria ganhar. Eu nos imagino dividindo os fones do iPod e escolhendo quais músicas românticas iremos ouvir pelo resto da noite. Eu nos imagino suados, grudados e embalados pelos sons das nossas respirações ofegantes. Eu nos imagino fazendo guerras de travesseiro. Eu me imagino pulando nas suas costas, te enchendo de cocégas.. Você vai estar dirigindo, tentando prestar atenção na estrada. Eu vou estar mexendo no som, procurando por sua música favorita. Você vai brigar comigo, dizendo que eu não paro pra ouvir nenhuma. Eu vou olhar pra sua cara e vou mandá-lo ficar quieto, que sou eu quem controla o som. Você vai rir e vai dizer que o carro é seu. Vou fazer careta para você e vou dizer que o ouvido é meu. Você vai prender uma risada. Eu vou olhar para você e vou dizer que quando ouço essa música,sempre é você quem me vem na cabeça. Você vai sorrir. Eu vou ficar sem graça. Você dirá que também pensa em mim. Quero eu, quero você, quero nós. Quero o seu sorriso roubando os meus sorrisos, tua voz me acalmando quando eu sentir medo. Seu braço envolvendo minha cintura e me puxando para mais perto de ti, me erguendo e me fazendo levitar. Quero que me rode no alto e que me deixe tonta. Que me faça gritar para que me coloque no chão e que me contradiga. Que me faça perder a paciência, mas que encontre um jeito de me fazer rir da situação. Que me ponha no chão com cuidado, me olhe nos olhos e diga “você me deixa louco, pimenta linda”. Como você sempre faz..E principalmente, quando eu desisto de mim, obrigada por não desistir também.
♥ 4
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Me and The Other Drugs.
Pensando e pensando, cheguei à conclusão que nunca me apresentei devidamente no meu próprio refugio que é como eu considero esse espaço aqui. Às vezes, colocamos atenção demais em coisas desnecessárias e esquecemos o que realmente importa. Sou capricorniana dos pés a cabeça, meus ciúmes são de querer matar, e minha falta de paciência, uma coisa super natural na minha rotina. Pode parecer estranho, mas tenho 5 melhores amigas, e cada uma me completa de um jeito. Mas não posso negar que tenho muito mais afinidades com meus amigos, homens. Não sei se foi pelo fato, de crescer em meio a irmãos e primos, que adquiri essa habilidade de tentar compreender o universo masculino, através dos meus amigos. Adoro quando algum me pede conselhos sobre como agir em determinadas situações, ou quando o outro me pede ajuda para comprar o presente de dia dos namorados ou aniversario. Ou simplesmente a falta de noção de não ter horário pra ligar, seja num sábado pela manha, ou num domingo à noite ou numa quarta de madrugada. Não sou muito fã de acordar cedo, mas quando acordo tarde fico com o peso na consciência de ter perdido metade do meu dia, nem que fosse pra ficar atoa. Não gosto de esperar, se quiser ter meu ódio eterno, é marcar um horário e atrasar. Sou muito complexada com certos assuntos, sempre acho que alguma coisa não esta no lugar certo, mas logo vem na cabeça que isso tudo é paranoia. Gosto de intensidade, não consigo gostar ‘mais ou menos’ de alguma coisa. Tenho receio de me apaixonar, mas isso como todas sabemos, é a mesma coisa que segurar agua na mão e ela não escorrer. Tenho uma amiga, que sempre diz que nunca me viu numa situação que eu não esteja gostando de alguém. E ah, existe sim, gostar de duas pessoas ao mesmo tempo. Sou apaixonada em dois homens, um é completamente o oposto do outro, e acho que isso é que realmente me chama a atenção. Um é mais palavras, carinho, cuidado. O outro é mais contato, toque, calor, paixão, aquela que te deixa ate desnorteada. Se eu pudesse, juntava os dois e transformava-os em um só, mas isso é humanamente impossível. Já li uma frase, que diz que se você gosta de duas pessoas ao mesmo tempo, você deve sempre escolher a segunda pessoa, por que se você realmente gostasse da primeira, não teria se apaixonado por outro. Por isso, abri mão do carinho, das palavras e do cuidado, e escolhi a paixão. Sou completamente fascinada com esmaltes e maquiagem, não consigo passar em frente a uma loja de cosméticos e não sair de lá com pelo menos 2 esmaltes novos, ou um pincel e uma sombra, ou um delineador e um blush. Sou universitária, pois é, passei de primeira numa federal, e moro a 178 km da casa da mamãe. Tenho dois irmãos, e apesar de sempre bater a vontade de matar um, eles são as preciosidades da minha vida. Tenho uma madrasta que não é tão má assim, e sou inacreditavelmente apaixonada no vovô e na vovó. Gosto de adrenalina, tudo que pode ser descoberto me fascina, sou maior de idade, e se meus pais soubessem metade do que eu já aprontei na minha adolescência, com certeza achariam que eu fui trocada na maternidade, apesar de ser a versão feminina e delicada do papai. Odeio tudo que envolva números, isso é realmente um problema pra quem tem aula de bioestatística e farmacologia. Adoro sair, adoro o meu bom e velho rock ‘n roll, e claro, meu ‘suave’ heavy metal. Sei discutir futebol, sou flamenguista de coração e acho um absurdo, homem achar que mulher não pode entender disso. Sou a favor de muitas coisas, mas sou contra varias também. Acho que isso serve de previa de como é a minha nada mole vida, e de como eu amo, e idolatro poder acordar todos os dias, tendo a chance de ser mais feliz que ontem.
sábado, 20 de agosto de 2011
.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Martha Medeiros
Nine.
É estranho ,ver os dias passando e esse dia chegando. Pela primeira vez em muito tempo, nao passei uma semana quebrando a cabeça pensando em uma forma diferente de te fazer sorrir no que seria nosso dia. Não passei horas antes de dormir inventando alguma coisa inusitada ou esperada que seja pra te ver feliz. Da um aperto claro,e vem na mente todos os sorrisos. Mas logo depois sobre isso tudo, vem as lembranças de como tudo acabou. E cobre toda aquele sentimento de boas memorias que estava por ali. Não sei na realidade o que falar sobre isso tudo, é a primeira vez que me abro mesmo depois que tudo aconteceu, às vezes ainda sonho como antes eu sonhava com tudo ótimo e perfeito, mas logo depois sonho com tudo no fim,ou apenas relembro não sei. O fato é que estou superando,aos poucos mas estou superando.Da mesma forma que rezava antes do fim,continuo pedindo a Deus pra fazer eu gostar de outra pessoa, e felizmente parece que ele esta atendendo meu pedido.No meio dessa tempestade toda,tenho alguem que me tranquiliza,e com uma simples palavra me traz paz.Não vai ser fácil assim tirar tudo da mente tão rápido,e o jeito mais fácil é sim me apaixonar por alguem que realmente goste de mim,e me queira feliz tambem.Não vou encarar esse dia 20 como um dia ruim,ou um dia pra testar a saudade nem nada,vou tentar encara-lo como um dia de olhar pra frente,e só ver no retrovisor as coisas boas que passaram,o que realmente marcou e fez com que tudo valesse a pena.Queria sim estar por perto,conversando,tendo contato e te vendo bem,ate porque te ver feliz sempre foi minha primeira intenção,e ainda é o que eu quero,mesmo não sendo eu a maior responsavel por tal sentimento.Só quero que saiba que nesses 9 meses eu me esforcei ao maximo pra ver seu sorriso no rosto o tempo inteiro,pra ter seus sentimentos pra mim a todo momento,pra ver você se sentindo completo a cada instante. Hoje eu senti a sua falta, pela primeira vez. Hoje meus olhos se encheram de lágrimas quando eu não pude virar para trás e rir daquilo que passou. Hoje, eu me perguntei os porquês de tudo isso. Repetidamente, não obtive respostas. Aquilo que juramos ser pra sempre, acabou. E sem sentido, sem motivos. Amanhã eu vou acordar e não vou poder te dar um abraço.E eu sinto falta da cumplicidade de antes, da vida de antes. Quando tudo era diferente. O tempo em que os menores problemas eram vistos por meio de uma enorme lente de aumento. Mas mudou. E parece que a única saída é aceitar as reviravoltas da vida, passivamente. Mesmo assim, eu sinto a sua falta. Eu preciso admitir que um lado meu, um lado bem pequenininho (ou não) de mim, ainda deseja que de vez em quando ou de vez em nunca, quando você estiver andando na rua dando banho no cachorro ou lendo um artigo qualquer, que você pense em mim, que lembre sem motivo nenhum da minha existência,seja porque ouviu hoje uma piada da qual eu iria rir ou viu alguém com um cabelo igual ao meu, ou simplesmente porque estava se lembrando do passado e se lembrou daqueles momentos. Porque eu penso em você assim, do nada, enquanto estou fazendo uma prova, ou assando um bolo, ou me maquiando, ou quase dormindo, você vem à minha cabeça, e eu não posso deixar de ficar abatida, pois é uma parte do meu passado importante demais pra ser esquecida assim, é uma ferida muito recente para ter cicatrizado totalmente.
Hoje eu não penso em ti, não lembro de ti, não falo de ti quase nunca, mas quando acontece... Ainda é devastador. Não são memórias ruins. Só são lembranças de um passado bom. Termino me despedindo,não de você,mas de todo aquele sentimento que a cada minuto que passa morre um pouco dentro de mim,porque sei que ele não brilhará mais…não por você,e não por que eu quero,porque eu o mantive aceso o quanto eu pude e o quanto eu aguentei até na hora que percebi que deveria mesmo ir embora. Sem você aqui, sem você pra mim, sem você enfim!
domingo, 14 de agosto de 2011
Bento!
Vasculhei meu caderninho de nomes bonitos e encontrei o substantivo proprio que escolhia à dedo para viver comigo para sempre, no mundo: Bento.
Agora Bento me olha, e eu nao sei direito como interpretar. Baixa o par de oculos escuros num dia cinza, e o olhar profano me corroi. É o par de bolitas intensas e escuras, que ainda assim domina minhas ações, controla minha presença. Magnetiza. E tem mãos firmes e bonitas. Conversa leve, e ri as vezes. E me fascina ainda mais, cada vez com mais misterio, hipnotizando e me deixando ainda mais abobalhada, ansiosa e atrapalhada. Bento tem todo esse poder, desde sempre. Ja me fez chorar noites inteiras, e rir com convicção, sedutora. Bento aparece nas horas mais improprias, e se manisfesta das maneiras menos viaveis. É ele quem pega na minha mão sorrindo, e logo depois me tiraniza com sua frieza incontrolavel. Nasceu torto e bipolar, como eu. Coitadinho. Bento ja grudou na minha pessoa, e tive que o fazer desgrudar. Me socorreu em porres homéricos, e cuidou de mim na cama, apenas de roupão. Me beijou mesmo depois de me ver vomitada, no dia seguinte. E sumiu, como poeira na luz, voando, ou glitter, no carnaval. Reapareceu algumas vezes, e deixou lembranças inesqueciveis; marcantes. Bentinho é filho Pródigo, e retorna à casa por gosto , e nunca por obrigação. Bento me encontra no meio da rua, me aluga por horas. Tira meu sossego e sempre promete vingança. Me ilude com palavras doces, e aparentemente sinceras. Me pede massagem, virando de costas e me chamando pra perto. Joga contra a parece seu celular, e logo depois, meu corpo fragil e tenso. Me amassa, me unta, e me embala. Bento nao consegue ter tempo pra mim, e me liga no meio da madrugada. Quer me ver, e eu que aceite. Morre de amores pela minha barriga, meu cabelo comprido, e minha covinha nas costas. E nem assim, me quer pra sempre. Se faz de desentendido, e me lembra dos erros do passado. Começa um monologo sobre como eu deveria ser, e disparo, furiosa rumo à porta. Arrependido, volta sempre. Rabo entre as pernas, desculpas esmigalhadas. Em todas as duas voltas, estava diferente. Bento nunca retorna igual: ja teve cabelos loiros queimados pelo sol. Negros e finos. Me apareceu certa vez, com os cabelos mais normais do planeta, sem forma definida e de cor castanha. As vezes emagrece, e em outras dá uma engordada. Nos ultimos tempos, tem se mantido à altura: alto e que encaixe completamente no meu corpo graúdo. Bento tem sido cada vez mais bonito, e nao tem me decepcionado. Tão charmoso, é um convicto bon vivant. Me convida pra programas inusitados e alguns até de indio.
Bento me prende, e depois me solta, Tem a melhor conversa do Universo, e usa um perfume encantador. Embora, uma de suas calças de moleton esteja furada, e usa a camisa do time que eu detesto. Bento me enlouquece, e me devolve a sanidade. Tira de mim todas as palavras que quer ouvir, e a roupa é a unica que ainda fica no meu corpo. Por hora. Usa terno e depois bombacha. Moleton, e pijama de flanela. Joga futebol, basquete, e ora apenas dorme. Bento quer uma coisa, e eu almejo outra. Ele quer o que eu não posso lhe dar, e eu quero o que ele não está querendo disponibilizar. Vivemos um impasse cabo-de-guerra, e soltamos a corda, vacilados. Bento se foi. E agora, Bento volta. Como eu imaginava. Bento reaparece como promessa de vida, e de vontade. De verdade. Diferente, é logico. Promessa, eu disse. Isso mesmo. E, até quando? Inconstância. A regra do jogo é exatamente essa.
Bento não existe, e acho que nunca virá a se tornar real. Bento é o que eu trago de bom, de quem encontro pelo bosque diário, vida. Não passa da personificação de todos que me amaram, e não deram conta do recado que é ser encantado por um furacão. Bento é aqueles que amei, e fraquejaram frente ao desafio que sou. Bento não é ninguém , e ao mesmo tempo, é todos eles. E é exatamente por esse motivo que eu sou completamente apaixonada por Bento. Pra sempre !
.
"Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina."
(Caio Fernando Abreu)
(Caio Fernando Abreu)
sábado, 6 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
.
As férias acabaram, e eu vi você. Ah, como eu queria não ter visto! Como eu queria não ter lembrado da sensação de esquecer do oxigênio!
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir, dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos.
Caio Fernando de Abreu
Caio Fernando de Abreu
Assinar:
Comentários (Atom)








