Ando uma bomba-relógio.É um aperto no peito e uma aflição no estômago.Uma vontade de viver tudo e, ao mesmo tempo, morrer trancada num quarto. É um encantamento sem restrições. Apressado, urgente, feroz. Uma vontade de rir, chorar e estar junto o tempo todo... e mais nada.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
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Ando uma bomba-relógio.É um aperto no peito e uma aflição no estômago.Uma vontade de viver tudo e, ao mesmo tempo, morrer trancada num quarto. É um encantamento sem restrições. Apressado, urgente, feroz. Uma vontade de rir, chorar e estar junto o tempo todo... e mais nada.
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-Às vezes eu ainda penso em você.
-Ainda?
-Sim, ainda.
-Mesmo depois de tudo o que aconteceu?
-Mesmo. Mas só às vezes, quando eu perco o sono. Eu me lembro de como a gente disse que ia ser. Eu lembro de quando eu achava que você era sincero.
-Você acha que eu não fui sincero?
-Eu tenho certeza. Mas eu sempre quis acreditar que você dissesse a verdade. Tudo parecia ótimo quando eu acreditava.
-E se eu dissesse que era tudo verdade?
-Você estaria mentindo.
-Ainda?
-Sim, ainda.
-Mesmo depois de tudo o que aconteceu?
-Mesmo. Mas só às vezes, quando eu perco o sono. Eu me lembro de como a gente disse que ia ser. Eu lembro de quando eu achava que você era sincero.
-Você acha que eu não fui sincero?
-Eu tenho certeza. Mas eu sempre quis acreditar que você dissesse a verdade. Tudo parecia ótimo quando eu acreditava.
-E se eu dissesse que era tudo verdade?
-Você estaria mentindo.
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Sem pensar em nada, sem nenhuma amargura, nenhuma vaga saudade, rejeição, rancor ou melancolia. Nada por dentro e por fora além daquele quase-novembro, daquele sábado, daquele vento, daquele céu azul – daquela não-dor, afinal.
Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu
domingo, 23 de outubro de 2011
Six.
Quem diria que chegaríamos aonde nós chegamos? Definitivamente esse era um pensamento que há alguns meses atrás, não passaria pela minha cabeça. Quando eu já havia perdido as esperanças de encontrar alguém que pudesse me fazer feliz depois de todas as decepções que eu passei, você apareceu na minha vida. Foi assim, do nada, em um dia eu não te conhecia e no outro você já não saía do meu pensamento. Eu realmente pensei que você seria mais um e que eu seria apenas mais uma para você, mas me enganei. Depois de um tempo você já era tão importante quanto qualquer pessoa que eu conhecia há anos. Você apareceu na minha vida quando eu mais precisava de alguém. E eu quero tanto, que nossos sonhos se realizem, quero acordar nos teus braços, com você mexendo no meu cabelo, abrir os olhos e te ver sorrindo. Sentir teu cheiro, ir por cima de você, beijar teu pescoço, ir mexendo nos teus cabelos, sussurrar no teu ouvido que eu te amo e passar o dia contigo. E a verdade é que quanto mais eu tento me distanciar de você, mais o seu jeito me encanta, sua voz me rende, e seu coração implora pelo meu. Quanto mais eu tento afirmar pra mim mesma que você é a pior opção, mais você se aconchega para jogar seu charme e garantir o, já feito, roubo do meu coração. Quanto mais eu quero que seja só amizade, mais você sussurra que é amor e que não vale a pena tentar fugir, pois ele me acompanhará aonde eu for. E, moço, eu queria que você estivesse errado. Eu queria ouvir músicas e não me lembrar de você. Queria ler Shakespeare e não te encontrar nas entrelinhas. Queria não te sonhar, não te querer, não te necessitar. Eu queria falar alto, apontar o dedo e discordar quando você dissesse que é amor esse negócio estranho que eu sinto. Mas, até eu estou começando a achar que é mesmo esse tal de amor. É um negócio doloroso e, ao mesmo tempo, bom. Não é isso, moço? É um negócio que me faz sorrir feito boba ao te sentir perto de mim, ou até mesmo, ao ver uma foto sua. Mas também me faz chorar como uma criança fragilizada e desprotegida ao sentir que tem algo de errado contigo e já imaginar mil paranoias. Esse amor é coisa de gente maluca e adulta, meu bem. Posso até ser maluca, mas sou pequena e ainda não sei amar direito. E nem sei se existe alguma pessoa que saiba amar. Eu trato meus sentimentos com tanta frieza e você pode achar que é a falta dos mesmos fazendo efeito. Mas não, querido. É meu jeito, meu escudo. É meu medo se fazendo presente em todas as situações, em todos os beijos, em todas as palavras de carinho. É aquele medo da perda, do engano, da decepção e da dor me atormentando. E, por outro lado, também sinto medo de sentir muito medo. Sinto medo de que meus medos te afastem de mim. Porque, menino, pode até não parecer, mas eu, praticamente, não vejo minha vida longe de você.
Ele não é a minha terceira, nem a segunda alternativa. Ele é a minha escolha.
E amanhã, quando acordar, eu vou escolher ele de novo.
E amanhã, quando acordar, eu vou escolher ele de novo.
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"Ora, não sou linda. Mas quando estou cheia de esperança, então de minha pessoa se irradia algo que talvez se possa chamar de beleza."
(Clarice Lispector)
(Clarice Lispector)
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Onze.
E eu que andava tão triste pensando no fim. Não me arrependi, mas acho que era esse meu jeito de escritora ficar assim meio nostálgica por um amor que acabou. É que foram tantos textos, tantas crônicas, tantos contos, tantos sonhos, tanta literatura investida nesse amor, que não tinha como alguém como eu, que respira literatura, não ficar sentida. Ah, Deus, se ao menos eu não fosse tão escritora! Porque isso só poderia ser coisa de escritor, essa nostalgia, essa melancolia, esse jeito poético de ver tudo, mesmo às coisas mais simples. Mas hoje eu vi, e só vi porque você me mostrou que já havia dado há nossa hora. Eu ainda não descobri se esse outro lado seu sempre esteve lá, eu que nunca quis ver, ou foi uma coisa que foi surgindo, que você adquiriu. Mas eu sei que está aí, e eu vou ser franca, esse lado seu não me atrai em nada. Então é isso, meu bem, meu mal, não sei nem do que eu te chamo agora. Te chamo de passado, porque é isso que você é. Eu não queria, veja bem, apagar essa história da minha vida. Talvez seja a escritora falando no lugar da mulher aqui, mas eu dou muito valor ao passado, sabe. É por isso que eu guardo tudo, cada bilhete, cada papel. Eu guardo lembranças, porque eu sei que eu estou guardando vidas. Eu respeito o que eu sentia no passado tanto até mais do que o que eu sinto hoje. Mas foi a vida (na verdade foi você) que quis assim. E se você quer encarar isso com olhos de quem nunca viu o amor, se você quer esconder o passado debaixo de um tapete. Se, meu mal, você quer me matar na sua vida, então me mata tudo bem, eu é que não vou chorar. Meu futuro é novo demais, é esperançoso demais, é reluzente demais, pra eu ficar me lamentando por ti, não seria nem justo. Isso vai mudar tudo. Mas, espero do fundo do meu coração – assim mesmo, com a inocência e sinceridade de criança – que nos encontremos um dia por aí. Sem muitas pretensões ou obrigações. Sem um futuro traçado ou um passado que nos prenda a alguém além de nós mesmos. Guarde o que temos hoje em algum lugar quase inalcançável. Mesmo que seja só como bagagem de vida ou história pra contar para os filhos. Esqueça o que eu te disse sobre não errar. Faça isso várias vezes, o quanto precisar. Me enganei quando acreditei que poderia te mostrar o mundo com os meus próprios olhos. Use os seus – que, aliás, vão me fazer falta nos próximos anos. Volte a ser aquele garoto ingênuo que conheci há alguns meses, mas só às vezes. Te garanto: Assim como eu, algumas pessoas merecem conhecer esse lado seu. Tente também sorrir mais e ligar menos para o que vão pensar. Má notícia: Sempre vão dizer alguma coisa. Entre tais verdades e mentiras, acredite em quem realmente ama você. Poucos, mas quase sempre o suficiente. Nunca enxergue tudo que vivemos como perda de tempo. Juntos, nós somamos e dividimos absolutamente tudo. Algumas coisas não acabam quando terminam. Se quiser um conselho de amiga, da próxima vez, não pegue o trem apenas porque ele se move. Tenha certeza de onde quer chegar antes de partir, meu amor.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
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"Como se houvesse uma parte de mim que não envelheceu e que guardou. Guardou tudo, até o príncipe que um dia não veio mais. Não, não foi um dia que ele não veio mais, foram muitos dias, em muitos dias ele não veio mais."
Caio Fernando De Abreu
sábado, 15 de outubro de 2011
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E depois de tanto tempo, parei pra pensar na situação.E várias dúvidas surgiram na minha cabeça.
Será que o sentimento existiu pra você, como ele existiu pra mim? Será que você se permitiu gostar, como eu permiti? Será que afetou a sua vida, como afetou a minha? Será que doeu em você, o tanto que doeu em mim?
Será que o sentimento existiu pra você, como ele existiu pra mim? Será que você se permitiu gostar, como eu permiti? Será que afetou a sua vida, como afetou a minha? Será que doeu em você, o tanto que doeu em mim?
E ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
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À propósito, te agradeço. Não por ter me magoado e ido embora como se nada tivesse acontecido, mas por ter me ensinado a ser mais forte.
Tati Bernardi
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
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"Existem aqueles dias radiantes que a gente acha que sente que chegou a hora. Só que na maioria deles, a realidade tem preguiça de superar os sonhos mágicos desse meu coração, esse que também serve de depósito para restos de amores que me acertam de raspão. Olha, não sei qual dói mais. Quando acaba, quando sentimos que acabou, ou quando a gente precisa cair na real que acabou e já faz tempo."
(Gabito Nunes)
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“Não é saudade, porque para mim a vida é dinâmica e nunca lamento o que se perdeu - mas é sem dúvida uma sensação muito clara de que a vida escorre talvez rápida demais e, a cada momento, tudo se perde. Nunca nos falamos, praticamente, nunca nos olhamos. Ficou só aquela vibração de silêncio, muito forte.”
(Caio Fernando Abreu)
sábado, 1 de outubro de 2011
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"Que outubro venha com bons ventos, que me traga sorte e amor, que não me deixe sofrer, por favor. Só por um mês, faça tudo dar certo, depois veremos o que vamos fazer em novembro."
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