sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Onze.


E eu que andava tão triste pensando no fim. Não me arrependi, mas acho que era esse meu jeito de escritora ficar assim meio nostálgica por um amor que acabou. É que foram tantos textos, tantas crônicas, tantos contos, tantos sonhos, tanta literatura investida nesse amor, que não tinha como alguém como eu, que respira literatura, não ficar sentida. Ah, Deus, se ao menos eu não fosse tão escritora! Porque isso só poderia ser coisa de escritor, essa nostalgia, essa melancolia, esse jeito poético de ver tudo, mesmo às coisas mais simples. Mas hoje eu vi, e só vi porque você me mostrou que já havia dado há nossa hora. Eu ainda não descobri se esse outro lado seu sempre esteve lá, eu que nunca quis ver, ou foi uma coisa que foi surgindo, que você adquiriu. Mas eu sei que está aí, e eu vou ser franca, esse lado seu não me atrai em nada. Então é isso, meu bem, meu mal, não sei nem do que eu te chamo agora. Te chamo de passado, porque é isso que você é. Eu não queria, veja bem, apagar essa história da minha vida. Talvez seja a escritora falando no lugar da mulher aqui, mas eu dou muito valor ao passado, sabe. É por isso que eu guardo tudo, cada bilhete, cada papel. Eu guardo lembranças, porque eu sei que eu estou guardando vidas. Eu respeito o que eu sentia no passado tanto até mais do que o que eu sinto hoje. Mas foi a vida (na verdade foi você) que quis assim. E se você quer encarar isso com olhos de quem nunca viu o amor, se você quer esconder o passado debaixo de um tapete. Se, meu mal, você quer me matar na sua vida, então me mata tudo bem, eu é que não vou chorar. Meu futuro é novo demais, é esperançoso demais, é reluzente demais, pra eu ficar me lamentando por ti, não seria nem justo. Isso vai mudar tudo. Mas, espero do fundo do meu coração – assim mesmo, com a inocência e sinceridade de criança – que nos encontremos um dia por aí. Sem muitas pretensões ou obrigações. Sem um futuro traçado ou um passado que nos prenda a alguém além de nós mesmos. Guarde o que temos hoje em algum lugar quase inalcançável. Mesmo que seja só como bagagem de vida ou história pra contar para os filhos. Esqueça o que eu te disse sobre não errar. Faça isso várias vezes, o quanto precisar. Me enganei quando acreditei que poderia te mostrar o mundo com os meus próprios olhos. Use os seus – que, aliás, vão me fazer falta nos próximos anos. Volte a ser aquele garoto ingênuo que conheci há alguns meses, mas só às vezes. Te garanto: Assim como eu, algumas pessoas merecem conhecer esse lado seu. Tente também sorrir mais e ligar menos para o que vão pensar. Má notícia: Sempre vão dizer alguma coisa. Entre tais verdades e mentiras, acredite em quem realmente ama você. Poucos, mas quase sempre o suficiente. Nunca enxergue tudo que vivemos como perda de tempo. Juntos, nós somamos e dividimos absolutamente tudo. Algumas coisas não acabam quando terminam. Se quiser um conselho de amiga, da próxima vez, não pegue o trem apenas porque ele se move. Tenha certeza de onde quer chegar antes de partir, meu amor.

2 comentários:

  1. Você sempre será meu ''bom'', estava esperando meu texto rs! Afinal, me acostumou, quanto a algumas palavras ditas no texto, me reservo o direito de nao responder, já que, só o fato de você me guardar, numa caixa qualquer, me faz me sentir bem, sabendo que fui; bom, puro e sincero para alguém, um dia, eu fui alguém muito importante para você.

    GRACINHA!

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  2. você foi tudo pra mim, talvez esse tenha sido o erro.

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